Reflexão · Esbela Neves

VOCÊ TEM MUITO DA CULTURA A QUAL  PERTENCE E A PSICOLOGIA ESTÁ ATENTA A ISSO

Janeiro apresenta-se como um período do ano que simboliza (re)começo e transições; como se houvesse “apertado” um botão para (re)iniciar as metas, os calendários, as estações, a vida. Ou seja, querendo ou não a gente segue os “rituais” que são nada mais, nada menos, que expressão cultural, uma forma de humanizar o mundo material e até mesmo o tempo.

“O humano está inserido na cultura; ou seja, todos os avanços e possibilidades de atividades e capacidades humanas estão postas na produção cultural, inclusive uma das mais importantes - a linguagem.” “A linguagem é fundamental para a construção de nossas formas de pensar e de sentir.” “Nosso mundo psíquico é formado de imagens, sensações e toma forma, se expressa nas palavras.” (Bock, Furtado, Teixeira, 2018)

O(A) Psicólogo(a) atenta-se (deve) muito à linguagem do(s) seu(s) paciente(s). Observa-se as suas diferentes funções, principalmente a referencial ou cognitiva, que representa e transmite os dados da realidade e a sua significação. É através dela, também, que podemos constatar alterações patológicas, que podem ser provenientes de disfunções ou lesões neuronais identificáveis ou específicas da psicopatologia mais presentes nos transtornos mentais.

Reflexão · Esbela Neves

A FORMA COMO VOCÊ SE RELACIONA COM VOCÊ E COM OS OUTROS VEM DA NECESSIDADE DE PERTENCIMENTO E A PSICOLOGIA PREOCUPA-SE COM ISSO

Você sabia que nascemos com a necessidade de pertencimento? O pertencimento é um objetivo natural de cada um de nós. O desejo, vontade, necessidade de ser querido(a), lembrado(a), amado(a), acolhido(a), reconhecido(a), de nos conectar, fazem parte da nossa cognição social (a parte que pensamos em nós e nos outros). Nascemos com uma estrutura no cérebro chamada DMN (Default Mode Network), um palavrão mesmo, que estabelece um dos padrões de funcionamento mais querido pelo sistema nervoso. A área está ativada, principalmente, quando estamos em descanso (por ser considerada a nossa área do descanso cerebral), mas é também a área da cognição social.(Lieberman, 2013)

E onde entra a Psicologia nesse processo?

V. Ramires (2003) ressalta a importância da cognição social na formação do modelo de funcionamento interno. Ops! Chegou o ponto! Trabalhando atentamente sobre o modelo de cognição social narrado por cada um de nós, os profissionais da Psicologia em acompanhamento psicoterápico colaborativo, conseguirão nos ajudar a entender (também os porquês) como a gente, a partir da história de vida (vivências, experiências, aprendizados) e os significados que damos aos eventos atuais (constituição do entendimento), funciona para buscar esse pertencimento. O que pode ser um “ponto quente” para se chegar às camadas de desconforto, sofrimento e prejuízos clinicamente significativos.

Todos nós merecemos viver uma vida compreendida que vale a pena ser vivida.

Reflexão · Esbela Neves

AINDA NÃO SIGNIFICA QUE ESSA PESSOA TENHA UM TRANSTORNO MENTAL

Eu e você temos no nosso ciclo de pessoas conhecidas pelo menos uma que convive com sinais e sintomas que podem ser características clínicas compatíveis com critérios para diagnóstico de transtornos mentais, como por exemplo: humor deprimido ou raivoso, insônia persistente, capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, dificuldade de manter a atenção, preocupação persistente e excessiva, medo acentuado, sensações de falta de ar, irritabilidade, comportamentos repetitivos, necessidade de fazer uso de substâncias psicoativas, necessidade de jogar, alucinações, e tantos outros. Ainda sim NÃO significa que essa pessoa tenha um transtorno mental.

Em setembro de 2025, a OMS informou que há mais de 1 bilhão de pessoas vivendo com transtornos mentais. E a perspectiva é aumentar! Antes de mais nada, o que mais importa para os profissionais de saúde mental é entender o sofrimento. Mas, o sofrimento é inerente à condição humana. Porque, então, classificá-lo? O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais classifica o transtorno mental como uma disfunção prejudicial, onde a pessoa não consegue desempenhar função natural, trazendo consequências negativas para a própria pessoa ou para a sociedade na qual ela está inserida. O transtorno mental é considerado como sendo multifatorial, ou seja, não há uma relação exata de causa e efeito entre os fatores de risco e desencadeadores e o seu desenvolvimento. Duas situações são levadas em consideração: a frequência e a intensidade dos sinais e sintomas.

Sim, mas porque classificá-lo? Para tornar algo inteligível, agrupando semelhanças e diferenças para facilitar a compreensão. A classificação ajudará na formulação do diagnóstico assertivo e plano de intervenção; garantia e acesso a direitos previstos na Lei; além de ajudar na formulação de políticas públicas.

Aqui é só um grão de areia no Globo. O objetivo mesmo é dizer que não deixe para depois, busque ajuda. O sofrimento é subjetivo, é individual. Pode hoje ser, apenas, um desconforto. Amanhã, poderá ser algo muito maior e que te impeça de viver uma vida que vale a pena ser vivida. Procure um Psicólogo e/ou Psiquiatra.

Encaminhe para alguém que precisa ler essa mensagem.

Reflexão · Esbela Neves

RECEBI HÁ 05 DIAS A NOTÍCIA DE QUE MINHA CACHORRINA MORREU; FIQUEI TRISTE E CHOREI

A emoção é uma resposta neurofisiológica de prontidão frente a uma situação de forte cunho emocional, podendo ser ativada externa ou internamente por eventos reais ou imaginários. (Gondim, 2015).

Analisando a notícia acima, a tristeza é um exemplo de emoção, e o choro, um tipo de resposta emocional.

Essa notícia fez-me voltar a experimentar sentimentos de perda. Esse sentimento, um outro estado afetivo, envolve a cognição e inclui a interpretação subjetiva da emoção. Isso nos faz utilizar todo o repertório subjetivo, adquirido com a vida, referente às características individuais e como se deu o aprendizado socializado.

A Psicologia também age quando o tempo de elaboração e a significação de um luto ainda trazem sofrimento para uma pessoa. Muitas vezes, ao se passar muito tempo com esse sofrimento latente, há impactos negativos que impedem de retomar a vida. Esse evento emocional mal elaborado pode levar a consequências inesperadas para outras situações. A pessoa pode começar a apresentar desmotivação, humor mais deprimido, intolerância, isolamento, dentre outros comportamentos. Os pensamentos podem ficar ruminativos em torno das lembranças não de uma forma adaptativa.

Por isso é muito importante perceber-se. As adversidades acontecem e continuarão acontecendo. Aprender sobre como melhor lidar com elas é essencial para se viver melhor. Procure um Psicólogo(a) caso haja desconforto emocional, com intensidade, e que tenha durado muitos dias, meses e até anos.

(Em lembrança, com carinho, da Pituca)

Reflexão · Esbela Neves

A VIDA QUE SE REVELA NO PROCESSO TERAPÊUTICO

Seja na telinha, nas sessões online, ou no espaço terapêutico, a vida vai sendo apresentada, aos poucos, conforme a singularidade de cada um. Uma pessoa recorre ajuda, aqui eu aponto para o profissional da Psicologia, quando está desesperadamente procurando alguém que a compreenda, [...] livre de qualquer juízo de valor.  Ela mesma atingirá um ponto em que ela própria reconhecerá que o lugar do julgamento, o centro da responsabilidade, reside dentro dela. (Rogers, 2009)

Com esse autor, criador da abordagem centrada na pessoa, busco desenvolver a minha sensibilidade para que a relação terapêutica com quem me confiar a “vida”, esteja totalmente envolvida na confiança, respeito mútuo, empatia, aceitação, calor humano, autenticidade.

Levantar “o tapete”, enxergando o que fora temporariamente “excluído”, é aversivo; resgatar memórias que provocam desconforto, é aversivo; questionar sobre posicionamentos que são cansativamente justificados, é aversivo; perceber as vulnerabilidades e aceitá-las, é aversivo; identificar comportamentos dependentes e que muito prejudicam, é aversivo; enfrentar um “eu” que se diz derrotado, é aversivo; estimular pautas de esperança, é aversivo; ter as verdades questionadas, é aversivo. E tantas, tantas outras…

A vida não deve ser uma cópia. A psicoterapia também não deve ser uma simples cópia de técnicas e protocolos. A terapia varia consideravelmente de acordo com cada paciente, com a natureza das suas dificuldades e seu momento de vida, assim como seu nível intelectual e de desenvolvimento, seu gênero e origem cultural. O tratamento também varia dependendo dos objetivos do paciente, da sua capacidade para desenvolver um vínculo terapêutico consistente, da sua motivação para mudar, sua experiência prévia com terapia e suas preferências de tratamento, entre outros fatores. (Beck, 2013)

Reflexão · Esbela Neves

É POSSÍVEL TER UM DIAGNÓSTICO EM SAÚDE MENTAL (OU QUALQUER OUTRO) COM TESTES NA INTERNET?

Cuidado com isso! Principalmente nos tempos áureos da Inteligência Artificial (IA).

Quero falar um pouquinho sobre o diagnóstico para a psicopatologia, que é o estudo científico de transtornos psicológicos. Nesse campo, apenas dois profissionais podem fechar diagnóstico psicopatológico: a) Da medicina (pode ser feito por qualquer médico devidamente habilitado, porém em casos de maior complexidade, é feito o encaminhamento para um médico psiquiatra (especialista em saúde mental); b) Da psicologia (pode ser feito por qualquer psicólogo com CRP ativo (Lei nº 4119/62), mas que também esteja devidamente qualificado e cuidadosamente ciente das obrigações e competências no campo da saúde mental.

Hoje, nós temos dois sistemas de classificação amplamente conhecidos e utilizados:

  • CID (Classificação Internacional de Doenças). Esta é a classificação oficial para o diagnóstico e a comunicação acerca dos transtornos mentais da OMS (Organização Mundial de Saúde). Ainda utilizamos a CID-10, mas já estamos transicionando para a CID-11, que vem oferecendo mais especificações, incluindo fatores sociais e contextuais, algo ausente na CID-10. O capítulo sobre Transtornos Mentais, Comportamentais e do Neurodesenvolvimento na CID-11 contém 161 categorias.
  • DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Atualmente estamos na 5ª edição, texto revisado. É produzido pela Associação de Psicologia Americana, categorizando os transtornos psiquiátricos com bases em características clínicas e etiológicas semelhantes. O DSM-5-TR organiza as classificações diagnósticas em 22 grandes categorias de transtornos mentais (capítulos) e inclui centenas de diagnósticos específicos dentro dessas categorias.

Elas duas estão totalmente alinhadas e referenciadas.

Então, é possível ter um diagnóstico em saúde mental (ou qualquer outro) com testes na internet?

Reforçando que o diagnóstico em psicopatologia é fundamentalmente clínico, baseado na apreensão intersubjetiva, a partir dos relatos do paciente e familiares, com observação e discernimento clínico, o que também não excluí a possibilidade da utilização de instrumentos psicológicos devidamente validados cientificamente, reconhecidos pelo Conselho Federal de Psicologia (sendo este último, apenas para uso exclusivo pelos psicólogos).

Você já ficou com a “pulga” atrás da orelha e/ou com desconforto ao pesquisar algo na internet?

Reflexão · Esbela Neves

O PROCESSO DO PENSAR

Enquanto pensamos, estamos fazendo o cérebro funcionar em padrões e combinações diferentes, e sempre que fazemos o cérebro funcionar de forma diferente, nós o modificamos. (Leaf, 2019)

Todos nós temos um processo do pensar: o curso, o modo como o pensamento flui, sua velocidade e seu ritmo ao longo do tempo; a forma, sua estrutura básica, sua arquitetura, preenchida pelos mais diversos conteúdos e interesses; o conteúdo, o que dá substância, os temas predominantes, o assunto em si.(Dalgalarrondo, 2019)

A forma como as pessoas se sentem emocionalmente e a forma como se comportam estão associadas a como elas interpretam e pensam a respeito da situação. (Beck, 2013)

Perceber, analisar, compreender e saber lidar com o que se pensa, por vezes, são ações complexas. Os pensamentos automáticos vêm e vão sem controle, raciocínio e deliberação alguma e podem causar estragos no dia-a-dia. Sentir-se mal quando não se consegue como esperado; sobre alguém que não falou contigo naquele momento; sobre o tempo de espera de uma resposta esperada; a respeito de mais uma negativa em participar de uma reunião no trabalho, e tantas outras situações.

Pensar sobre que o está pensando faz parte do processo de autoconhecimento e a psicoterapia pode ajudar e muito. Já pensou nisso?

Reflexão · Esbela Neves

ENERGIZANDO O MODO ADAPTATIVO

Um modo é uma maneira de agir ou fazer que envolve crenças, atitudes, emoção, motivação e comportamento. (Beck, 1996; Beck, Finkel, & Beck, 2020)

O modo adaptativo é uma característica geral do ser humano; é como ele funciona bem. Para a CR-R (Terapia Cognitiva orientada para a recuperação), a recuperação do modo adaptativo perpassa pela recuperação dos interesses, valores, capacidades e aspirações do indivíduo, bem como de suas habilidades de resolver problemas, pensar com flexibilidade, comunicar-se efetivamente e ser resiliente diante do estresse. (Beck, Grant, Inverso, Brinen & Perivoliotis, 2022)

Para energizar o seu modo adaptativo planeje atividades prazerosas, movidas pelas aspirações, que tragam significado e propósito à vida cotidiana.

  • Experimente o benefício de realizar uma atividade nova.
  • Observe os benefícios de uma atividade que já está na sua rotina.
  • Programe uma atividade para algum dia dessa semana.
  • Direcione a sua programação e atenção para desafios específicos.
  • Refine uma programação legal aumentando a frequência.
  • Fortaleça as crenças positivas relacionadas à ação. (Beck, Grant, Inverso, Brinen & Perivoliotis, 2022)

Acredita que tudo o que está escrito acima poderá ajudar no seu autoconceito de autoeficácia?

Reflexão · Esbela Neves

O OBJETIVO SEMPRE FOI UMA BASE SEGURA

Não sei se você já ouviu falar na Teoria do Apego. Ela foi criada por John Bowlby (psiquiatra e psicanalista Britânico) e tem muito a ver com parentalidade, que foi conceituada por ele como um conjunto de comportamentos responsivos, sensíveis e afetivos de um cuidador principal para estabelecer um apego seguro. E aqui a gente vai pensar nos pais, responsáveis e/ou cuidadores.

Ter uma parentalidade bem sucedida requer muito trabalho. Dar tempo e atenção às crianças significa sacrificar interesses e outras atividades. A maioria dos seres humanos deseja ter filhos e deseja também que eles cresçam para serem saudáveis, felizes e autossuficientes. (Bowlby, 2024)

Confesso que por muito tempo me senti culpada e uma mãe não tão boa assim. Trabalhava muito quando os meus eram pequeninos - quando chegava em casa, na grande maioria das vezes, eles já estavam dormindo. Quando já se encontravam em casa menos pior, o problema era acordá-los para seguir viagem. Cortava o meu coração. Infelizmente e com muito pesar, eu sei que essa é uma realidade para muitos.

Bowlby (2024), também diz que a parentalidade bem sucedida é a principal chave para a saúde mental da próxima geração. Se a relação entre o indivíduo apegado e a figura de apego vai bem, há alegria e sensação de segurança. Quando ameaçada, há ciúme, ansiedade e raiva. Quando rompida, há tristeza e depressão.

Mas, como saber se estamos criando uma base segura na percepção das nossas crianças e adolescentes? Quando, à medida que envelhecem, aventuram-se cada vez mais longe da base e por períodos maiores, estando mais confiantes.

Não esqueça que cada criança e/ou adolescente é um ser único, que apresenta características próprias de subjetividade e significados. Importante observar e respeitar as condições, contextos e essas características.

Interessante, né? Ajuda-me muito a compreender alguns comportamentos, pensamentos e posicionamento diante da vida. O que você acha?

Quer conversar sobre o que leu?

Se algum desses textos ressoou com você, esse pode ser um bom momento para buscar apoio.

Agendar pelo WhatsApp